domingo, 24 de setembro de 2017

Literatura feminista

Após o sucesso de "O Conto de Aia", Margaret Atwood lança "Vulgo Grace", narrado por uma doméstica condenada à morte/

"Os homens temem que as mulheres vão rir deles. As mulheres temem que os homens as matem." Esta é uma das frases mais conhecidas da escritora canadense Margaret Atwood, que, aos 77 anos, é uma das queridinhas do momento. É de autoria dela o best-seller "O Conto de Aia" (R$ 44,50, 368 págs., Rocco), livro de 1985 que inspirou a série de mesmo nome, ganhadora dos principais prêmios do Emmy (o Oscar da TV) deste ano. Nela, o autoritarismo contra as mulheres, que perdem os direitos civis em um mundo distópico, cria uma realidade sufocante.

É uma sensação bem semelhante que o leitor tem ao se deparar com o opressivo "Vulgo Grace" (R$ 49,90, 512 págs., Rocco), que se baseia na história real da empregada doméstica Grace Marks, condenada em 1843, em um julgamento sensacionalista, por ser cúmplice de James McDermott no assassinato de Thomas Kinnear, seu patrão, e de Nancy Montgomery, governanta da casa e amante de Kinnear. Grace tinha 16 anos e foi sentenciada à prisão perpétua.

Mas a moça alega não se lembrar do que ocorreu e passa anos em prisões e asilos, tratada como um animal exótico. Apesar disso, impressiona quem convive com ela e ganha a defesa de diversas personalidades. É a partir daí que Margaret lança mão da ficção para colocar Grace como narradora de sua própria história. A autora estrutura o romance de maneira a, pela primeira vez, dar voz à doméstica, que passa a contar sua vida a um fictício especialista em doenças mentais contratado para entrevistá-la.

Um jogo de preconceitos, então, eleva-se na frente do leitor, brincando a cada página com as suas expectativas.

Vivian Masutti, 32 anos, é jornalista formada pela Cásper Líbero e bacharel em letras (português e francês) pela Universidade de São Paulo, onde também cursou a Faculdade de Educação e obteve licenciatura plena em língua portuguesa

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