
A megaoperação Luz na Infância chegou a prender 108 pessoas em 25 estados, na tarde desta sexta-feira, 20, informou o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Dois homens, de 48 e 61 anos, foram presos nos bairros Jóquei Clube e Mondubim, em Fortaleza, onde foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão. Diversos materiais eletrônicos foram recolhidos na Capital cearense por agentes de segurança.
Os trabalhos em Fortaleza foram conduzidos pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (DAS), Divisão Antissequestro (DAS) e Perícia Forense. Os mandados ainda foram cumpridos em imóveis nos bairros Conjunto Esperança e Vila Ellery.
Notebooks, filmadora, quatro HDs externos, cinco HDs de desktops, CPU, computador, 25 CDs e aproximadamente 30 fitas cassete com conteúdo pornográfico, bem como objetos eróticos, foram apreendidos.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), os presos confessaram o download de materiais contendo pedofilia. Eles foram autuados com base no artigo 241 A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - "oferecer, troca, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfico envolvendo criança ou adolescente".
Em alguns casos, os detidos também são suspeitos de produzir material de pornografia infantil e pedofilia na internet.

Brasil
A operação é considerada uma das maiores do mundo no combate à pedofilia e envolve 1,1 mil policiais. O trabalho de investigação durou seis meses, e o número final de presos e mandados cumpridos será divulgado pelo Ministério da Justiça até o fim do dia. As investigações agora vão apontar se os detidos fazem parte de quadrilhas nacionais e internacionais ou agiam sozinhos. Também não foram divulgadas informações consolidadas sobre o perfil das pessoas que foram presas.
Na operação, a Diretoria de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) contou com o apoio de parceiros nos Estados Unidos e na União Europeia, que colaboraram com a troca de informações e softwares necessários para monitorar os criminosos. Mais de 150 mil arquivos com conteúdo pornográfico de menores de idade foram encontrados pelas investigações.
As informações sobre os suspeitos foram reunidas e encaminhadas pela Senasp às polícias civis dos estados, que têm jurisdição sobre o crime e deram continuidade às investigações. No Amapá e no Piauí, o trabalho não foi concluído a tempo da deflagração da operação, que envolveu os demais estados e o Distrito Federal. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que o trabalho continua e mais mandados podem ser emitidos nos próximos dias.
Torquato Jardim concedeu entrevista coletiva na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e destacou a importância da cooperação internacional em tecnologia para a segurança pública no Brasil, explicando que os principais crimes que precisam ser combatidos no país são praticados por quadrilhas que têm ligações transnacionais, como os crimes cibernéticos e os de tráfico de drogas, armas e pessoas.
"Nada se passa no espaço exclusivo do território nacional. A integração federativa é fundamental, e a integração internacional não é menos fundamental em tecnologia. Essa é uma tecla [em] que o Ministério da Justiça bate muito", afirmou o ministro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário