
RIO - O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, se tornou réu em uma ação popular, na esfera cível, que questiona os contratos de publicidade do município com a agência Prole. Em seu acordo de colaboração premiada, o marqueteiro Renato Pereira, um dos sócios da empresa, afirmou que a licitação vencida por sua empresa em Niterói foi fraudada. A delação ainda aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Rodrigo Neves, também virou réu André Felipe Gagliano Alves, ex-coordenador de Comunicação da prefeitura de Niterói, acusado por Renato Pereira de receber uma mesada de R$ 20 mil para favorecer a agência no município. A Prole também é ré na ação popular, que pede a condenação dos envolvidos por improbidade administrativa.
A decisão foi tomada pelo juiz Rodrigo José Meano Brito, titular da 5ª Vara Cível de Niterói, nesta segunda-feira. Ele deu 20 dias, prorrogáveis por igual período, para que Neves, Gagliano e a Prole se manifestem nos autos. A ação popular é fundamentada em trechos do acordo de colaboração de Pereira, divulgados pelo GLOBO em novembro.
Autor da ação, o vereador de Niterói Bruno Lessa (PSDB) pediu que todos os contratos e aditivos do município com a Prole - que somam R$ 59,95 milhões - sejam anulados. Além disso, também requereu a proibição de novos empenhos da prefeitura para a Prole e a suspensão de uma licitação em curso para a contratação de serviços de publicidade.
Em sua sentença, o juiz não acolheu, por ora, os pedidos. Segundo ele, "os fatos narrados na petição inicial, se confirmados, são gravíssimos porque informam o dolo pré-ordenado de direcionar a licitação para contratação de serviços de publicidade. Contudo, a sustentação da tese está baseada apenas em matéria jornalística, juntada aos autos pelo autor popular, de modo que nesta fase de cognição preliminar a cautela recomenda que o exame do pedido de antecipação dos efeitos da tutela seja diferido para momento posterior".
Em nota, a prefeitura de Niterói afirmou que ainda não foi notificada da decisão, mas prestará todos os esclarecimentos "quanto à lisura, transparência e cumprimento das exigências legais durante a execução do contrato em questão". Em nota, a prefeitura alega que "se trata de uma Ação Popular proposta por um vereador de oposição, com base apenas em matérias de jornal. O pedido de esclarecimentos faz parte do rito judiciário para processos desta natureza, na esfera cível". A prefeitura diz ainda que a contratação "obedeceu à minuta padrão para órgãos da administração pública". A prefeitura de Niterói informa ainda que a Prole não presta mais serviços para o município desde o mês passado, e que concluiu uma nova licitação para serviços de publicidade, vecida pela agência E3, há duas semanas.
A Prole foi procurada para comentar a decisão da Justiça, mas seus representantes não retornaram os contatos do GLOBO.
LICITAÇÃO DIRECIONADA
Segundo a colaboração de Pereira, a licitação para os serviços de publicidade de Niterói, realizada em 2013, foi direcionada para a Prole. Em sua colaboração, o marqueteiro afirma que Rodrigo Neves "pediu que André Felipe conversasse conosco sobre o direcionamento do certame licitatório para agência de publicidade pela Prefeitura de Niterói. Meu sócio William Passos auxiliou diretamente na elaboração do edital". A Prole venceu a concorrência, orçada em R$ 15 milhões por um ano de serviços. Posteriormente, foram firmados sete termos aditivos ao contrato.
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As revelações do marqueteiro do PMDB

Caixa dois nas campanhas no Rio.
Em delação, o marqueteiro Renato Pereira, da Prole, afirma que o governador Luiz Fernando Pezão, o ex-prefeito Eduardo Paes, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ) e o ex-governador Sérgio Cabral participaram diretamente da negociação de pagamentos em dinheiro e fora da contabilidade oficial. Os políticos citados negam e criticam divulgação de
Pereira ainda afirma que foi orientado pelo prefeito de Niterói a pagar propina para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ): "Após a assinatura do contrato, em uma reunião de trabalho no gabinete do Prefeito Rodrigo Neves fui alertado pelo próprio Neves de que deveria ser acertado um valor com o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, ainda que se tratasse de um contrato municipal", disse o marqueteiro em sua delação.O delator ainda denunciou o pagamento de R$ 20 mil mensais para André Felipe Gagliano Alves.
Outra afirmação feita por Renato Pereira diz respeito a caixa 2 nas campanhas de Rodrigo Neves à prefeitura de Niterói, em 2012. Segundo ele, o marketing da campanha custou, na realidade, R$ 8 milhões, quase o dobro dos R$ 4,3 milhões declarados à Justiça Eleitoral. Em novembro, quando a delação do marqueteiro veio a público, Rodrigo Neves negou ter feito pagamentos via caixa 2 em suas campanhas, garantindo que "todas as doações de suas campanhas eleitorais foram realizadas de acordo com a legislação em vigor à época, e aprovadas pela Justiça Eleitoral".
O prefeito de Niterói também negou que a licitação tenha sido direcionada para a Prole. Segundo ele, o certame "foi feito de acordo com os trâmites legais e teve a auditoria e aprovação dos órgãos de controle e fiscalização". Gagliano, por sua vez, negou enfaticamente as acusações e afirmou nunca ter recebido valores de William Passos, sócio da Prole, e de qualquer outra pessoa da empresa.
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