Para evitar impeachment e garantir base, Bolsonaro volta à velha política do 'toma lá dá cá'.
O grupo de partidos conhecido como Centrão vai cobrar uma fatura cada vez mais alta do presidente Jair Bolsonaro. Agora, o bloco informal se debruça sobre o mapa de indicações acertadas com o ministro Onyx Lorenzoni no tempo em que o atual titular da Cidadania ainda era chefe da Casa Civil. Na tentativa de construir uma base parlamentar no Congresso, o Palácio do Planalto promete destravar nomeações que não saíram do papel. Depois da crise que se agravou com a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, o governo aposta no Centrão para barrar pedidos de impeachment contra Bolsonaro.
A aproximação com líderes do MDB, PP, PTB e outros partidos que sempre orbitaram a base governista de diversos governos começou antes mesmo da demissão de Moro, mas ganha força com a negociação de cargos, adotando a velha política do “toma lá dá cá”, velha prática condenada pelo presidente durante a campanha para a Presidência.
Entraram nas negociações, por exemplo, os comandos do Porto de Santos, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e até do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O presidente decidiu manter o comando da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com o DEM, mas dividirá as diretorias da estatal entre outros partidos do Centrão. A empresa é uma das mais cobiçadas no Nordeste, principalmente em um ano eleitoral como este, por ser responsável pela realização de obras de infraestrutura em regiões carentes.
Para o presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), não é hora de entrar no governo. "Me ofereceram o comando do Porto de Santos, mas eu não vou aceitar", disse Paulinho. Nessa disputa por cargos, a cadeira de Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, também entrou no jogo.
Em entrevista recente, o ex-deputado federal e presidente do PTB Roberto Jefferson afirmou que "se ele (Bolsonaro) oferecer abertamente a participação, com objetivos claros, de porta aberta, com a imprensa filmando e gravando os compromissos, para o povo poder cobrar, eu não tenho problema que o PTB participe do governo dele".
A reportagem apurou que, além de partidos como o PSD, presidido por Gilberto Kassab, a base evangélica de Bolsonaro também gostaria de indicar um nome para resolver pendências de rádios e TV. Kassab foi ministro da pasta na gestão de Michel Temer. Atualmente, tem um aliado na Casa Civil do governo de João Doria em São Paulo, mas está afastado do tucano.
Marcos Pontes negou que esteja de saída das Comunicações. "Não acredite em qualquer coisa que você esteja lendo ou vendo por aí. Existem pessoas com a intenção de criar intrigas e desestabilizar uns aos outros. Estou 100% #FechadoComBolsonaro", escreveu ele, ao mencionar a série de "cotoveladas espaciais".
Em fevereiro do ano passado, quando ainda era titular da Casa Civil, Onyx se reuniu com líderes da Câmara para tratar de emendas parlamentares e cargos. A promessa era de que as funções seriam distribuídas de acordo com as bancadas estaduais. Nos meses seguintes, passou a circular pelo Congresso uma lista, conhecida como "banco de talentos", com vagas a serem preenchidas no segundo e terceiro escalões. "Tucanaram o apadrinhamento", ironizou à época o senador Major Olímpio (PSL-SP), numa referência ao "banco de talentos".
Agência Estado/Dom Total


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