quarta-feira, 30 de junho de 2021

Mulher morta a facadas em Parnamirim tinha medida protetiva contra ex-marido


Após mais de uma década de relacionamento, Anailzy Suany Marques da Costa, de 32 anos, tentava viver uma nova vida ao lado do filho, um adolescente de 12 anos, após ter se separado do marido. Ela tinha em seu favor uma medida protetiva expedida em março pela Justiça Estadual, mas a ordem judicial não impediu que ela fosse assassinada a facadas na área comum do condomínio onde morava há três meses, em Parnamirim, na Grande Natal. A Polícia Civil confirmou que o ex-marido é o principal suspeito de ter cometido o crime caracterizado como feminicídio no início da noite da segunda-feira (28)

Segundo informações apuradas pela Tribuna do Norte, o ex-marido estava morando há pelo menos 15 dias no mesmo condomínio e chegou a pagar aluguel à administração. Não havia móveis na casa onde ele residia. A vítima não sabia que o ex-companheiro estava morando no local. A administração do residencial não havia sido comunicada a respeito da medida protetiva e só tomou conhecimento do caso após o fatídico episódio, que chocou os demais moradores.

De acordo com a delegada Luana Faraj, titular da Delegacia Especializada em Defesa da Mulher de Parnamirim (DEAM), a medida protetiva foi expedida no começo de março pela comarca de São Tomé, interior do Rio Grande do Norte. Era nessa cidade onde Anailzy morava com o ex-marido até então, quando segundo a delegada, “fugiu” de lá em direção a Parnamirim em virtude das ameaças do ex-companheiro. Ela passou a morar com o filho, de 12 anos, num condomínio no bairro Liberdade.

“Os fatos que motivaram a vinda dela na DEAM aconteceram em São Tomé. Quem teria atribuição investigativa era a Delegacia de lá, mas por alguma razão ela nos procurou aqui em Parnamirim. Imediatamente registramos Boletim de Ocorrência, embora não tivéssemos essa atribuição, mas ela estava muito nervosa. Colhemos as declarações e encaminhei o pedido de medida protetiva para a Justiça de São Tomé”, explicou a delegada, acrescentando que o casal morou junto por 15 anos e que a vítima relatou violência moral, psicológica e controle de aparelho telefônico por parte do companheiro, entre outras questões.

Anailzy chegou a ficar em uma casa abrigo localizada em Natal, por um determinado período, até conseguir se instalar em Parnamirim. Ela trabalhava como recepcionista. Agentes da DEAM chegaram a ir a São Tomé para ajudá-la a retirar roupas e pertences para a vinda dela e do filho a Parnamirim. Ainda de acordo com a delegada, em conversa com familiares na manhã dessa terça-feira (29/06), eles relataram que já durante a moradia dela na nova cidade, houve situações de descumprimento de medida protetiva, mas que Anailzy não comunicou à Polícia.

“Uma familiar falou que, por medo dele impedir o contato dela com o filho, ela não tinha comunicado à Delegacia essas situações de descumprimento”, acrescentou a delegada. Segundo a administração do condomínio, a medida protetiva não foi apresentada à direção do local.

NA FICHA DA POLÍCIA RN

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