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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nos EUA, Bolsonaro diz que não é o nome mais capacitado para ser presidente, mas não está envolvido em escândalos de corrupção



Reprodução/Facebook

Em palestra fechada a investidores e analistas em Nova York, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que não é o nome mais capacitado para ser presidente do Brasil, mas não está envolvido em escândalos de corrupção.

“Tem muita gente mais preparada do que eu, mas no Brasil hoje o pessoal está alvejado. Praticamente não tem candidato deles que se apresenta aí que não tenha problemas na Lava Jato ou já tiveram no mensalão”, disse o deputado na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, na quarta-feira (11).

“Gostaria que isso não acontecesse. Tem gente lá que eu gosto [sic], mas, infelizmente, não vou citar nomes nem vou criticar, estão envolvidos nessas questões. Então, hoje em dia, cai para mim.”

Na quinta-feira (12), em tom mais polido, Bolsonaro voltou a fazer autocrítica em palestra no Conselho das Américas.

“Estendo a mão aos senhores. Entendam a minha inexperiência em algumas áreas, mas o mais importante é a vontade de acertar”, rogou.

A Folha teve acesso à integra das duas palestras, ambas fechadas. O deputado, empatado em segundo lugar na disputa presidencial de 2018, de acordo com o Datafolha, desculpou-se por arroubos agressivos.

“De vez em quando me perco nas palavras, sim, me perco, me perco, peço desculpas. Mas o nosso objetivo exatamente é o bem de todos”, afirmou, no segundo evento.

Bolsonaro pediu uma nova Constituinte e a reformulação da legislação trabalhista.

“Temos um problema na CLT, está engessada na Constituição”, reclamou, para então defender a adoção do modelo americano, que não prevê direitos como férias e licença-maternidade.

O deputado repetiu lugares-comuns em favor da livre iniciativa.

“O Custo Brasil é altíssimo, a burocracia é enorme, o número de horas para abrir uma empresa no Brasil acho que é… Estamos em primeiro lugar no mundo”, observou.

“Temos que ressuscitar o [ministro do Planejamento na ditadura militar] Helio Beltrão, né, mas revigorado, para desburocratizar o Brasil.”

Ao comentar a reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer, porém, Bolsonaro foi mais cauteloso.

“Dá para sair, devagar, dá. Não adianta o pré-candidato aqui dizer que vai fazer. Não vai fazer, a verdade acima de tudo. Pode até agradar os senhores aqui, mas ele vai ter dificuldade um ou dois anos depois ao ver que não fizemos”.

Bolsonaro declarou sua admiração pelos Estados Unidos e disse que o país deveria ser “o primeiro parceiro comercial” do Brasil.

“Em muitas coisas, temos afinidades. Sou apaixonado por esse país do coração, gostaríamos que nos aproximássemos, que os acordos fossem mais céleres”, desejou.

Sobre política, Bolsonaro disse que “o Judiciário é um tanto quanto aparelhado também” e o Congresso, um “gargalo” para o Executivo em algumas matérias, mas afirmou contar com as bancadas da segurança, evangélica e do agronegócio (conhecidas como da bala, da bíblia e do boi) como sustentação.

“Temos um sentimento muito grande que pode unir o Parlamento brasileiro.”

Folha de São Paulo
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Bolsonaro é condenado a pagar R$ 50 mil após fala racista sobre quilombolas



Foto: Reprodução / YouTube

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi condenado pelas declarações racistas sobre quilombolas que proferiu em abril no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, entidade da comunidade judaica. Em palestra, ele declarou que não fará demarcação de terras indígenas e quilombolas caso seja eleito presidente do Brasil. Na sequência, ele disse que as reservas indígenas e quilombolas atrapalham a economia. "Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles". Segundo informações da coluna de Ancelmo Góis, do jornal O Globo, a sentença foi emitida pela juíza Frana Elizabeth Mendes, da 26ª Vara Federal do Rio em resposta a ação movida pelo Ministério Pública Federal (MPF). A decisão determinou que Bolsonaro seja pague R$ 50 mil por danos morais.
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