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sábado, 7 de outubro de 2017

Vigia que ateou fogo em creche é enterrado sem velório nem presença de parentes

Damião Soares dos Santos foi enterrado na mesma cova do pai, que morreu há três anos; família do vigia teve medo de retaliação e optou por não divulgar informações sobre o sepultamento.
Cova da família é afastada (Foto: Juliana Peixoto/G1)


O vigia Damião Soares dos Santos, que ateou fogo em uma creche em Janaúba (MG), matando crianças e uma professora, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (6) em uma cerimônia discreta, sem seus familiares. Estavam presentes apenas os funcionários da funerária, de acordo com o gerente do cemitério, Miguel Fernandes Vasconcelos.

O crime aconteceu na quinta-feira (5). Damião jogou álcool no local, depois ateou fogo nas crianças e nele mesmo. Sete alunos morreram; o vigia morreu cinco horas após o crime.
Ainda de acordo com o gerente, o corpo de Damião foi sepultado na mesma cova de seu pai, que morreu em 5 de outubro de 2014. "Só tinha a funerária aqui. Ninguém compareceu, nem da família nem amigo, se caso ele tivesse".

A Polícia Civil informou que a família optou por não velar o corpo e não divulgar informações sobre o enterro por medo de retaliações.

Enterro de professora
O enterro de Damião aconteceu minutos antes do cortejo com o corpo da professora Helley Abreu Batista sair pelas ruas da cidade. Uma multidão acompanhou o caminho até o cemitério. A professora teve 90% do corpo queimado e morreu no hospital. Segundo a polícia, ela lutou com o autor do crime para tentar salvar alunos.

O gerente do cemitério afirmou que algumas pessoas que estavam no local, aguardando a chegada dos corpos da professora e de Renan Nicolas Santos, um dos alunos que morreram no ataque, desconfiaram que se tratava do sepultamento do vigia.

"As pessoas não sabiam quem era, mas alguns perguntaram, suspeitaram, e comentaram que ele [Damião] não poderia ser sepultado no mesmo cemitério onde estavam as vítimas", disse.
Apesar de ter sido enterrado na cova do pai, por enquanto não há uma cruz de identificação para Damião. A funerária disse que o acerto financeiro para o enterro foi feito pelo telefone, mas não informou valor e nem quem pagou o sepultamento.

Corpo do vigia foi enterrado na mesma cova do pai (Foto: Juliana Peixoto/G1)


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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Polícia diz que viúva raptada em velório ajudou assassinos do marido; suspeito é identificado.


Homem que levou Gerina da Silva da funerária em Natal aparece em filmagens de uma câmera de segurança.


A polícia identificou um dos homens suspeitos de raptar Gerina Ribeiro da Silva no dia 21 de abril passado, na Zona Leste de Natal. A mulher velava o corpo do ex-companheiro, assassinado três dias antes, no momento em que os criminosos invadiram a funerária e a levaram. A polícia acredita que ela está morta, e que ajudou um grupo de traficantes a assassinar o ex-marido.

O suspeito procurado, segundo a Polícia Civil, é Rony Emanuel Costa da Silva, de 22 anos, contra quem foi expedido um mandado de prisão preventiva. Rony foi identificado a partir das imagens de uma câmera de segurança da funerária.

Dias após raptar Gerina, o jovem foi detido sob suspeita de assaltar um policial em Potilândia, na Zona Sul da capital, ocasião em que foi feita uma fotografia dele. Porém, em seguida, foi liberado.

À época a Polícia Civil ainda não dispunha das imagens da câmera de segurança. Posteriormente, a comparação da foto com a filmagem permitiu que a polícia chegasse ao nome de Rony Emanuel como um dos autores do rapto, e agora ele está foragido.

A Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deicor), que apura o caso, acredita que Gerina ajudou inimigos do ex-companheiro a encontrá-lo, para que ele fosse executado. Esse mesmo grupo de criminosos teria sumido com ela, e o motivo é queima de arquivo, já que, mesmo colaborando, Gerina da Silva presenciou o homicídio.


Apesar de o corpo da mulher nunca ter aparecido, o delegado Odilon Teodósio, da Deicor, diz que as investigações apontam que ela está morta. “Não acreditamos que esteja sendo mantida em cárcere todo esse tempo”, afirma.

Gerina Ribeiro da Silva foi até a granja na localidade de Arenã, em São José de Mipibu, na Região Metropolitana de Natal, visitar ex-companheiro dela, Augusto Magalhães de Oliveira, no dia em que ele foi executado a tiros. O crime aconteceu no dia 18 de abril. “Os executores chegaram ao local cinco minutos depois dela”, conta Teodósio.

O delegado diz que as investigações indicam que ela sabia do plano dos criminosos. Gerina teria combinado de mostrar a eles onde ficava a granja em que Augusto estava escondido, em troca de alguma vantagem. “Fazia algum tempo que não estavam juntos”, acrescenta.

Odilon Teodósio afirma que Gerina da Silva mantinha relacionamento com Augusto de Oliveira desde 2010, quando ele foi preso com quilos cocaína. Além de Rony Emanuel, mais dois homens participaram do rapto da mulher. O delegado da Deicor garante que a polícia também já está perto de identificá-los.

Ex-companheiro devia ao tráfico

Ainda segundo o delegado da Divisão de Combate ao Crime Organizado, o assassinato de Augusto Magalhães de Oliveira foi ordenado por Davi Torres de Souza, conhecido como Braddock.

Odilon Teodósio explica que Braddock comandava o tráfico de drogas na região do Golandim, em São Gonçalo do Amarante, Grande Natal. Segundo o delegado, Augusto de Oliveira devia dinheiro referente a 50 quilos de crack ao traficante, o que dá, aproximadamente, R$ 500 mil. O homicídio foi a cobrança da dívida.

O delegado diz ainda que os homens que aparecem no vídeo em que Gerina é raptada pertencem à quadrilha de Braddock, o que leva a crer que o mesmo grupo responsável pelo assassinato levou a mulher.

Davi Braddock morreu em um confronto com policiais da Deicor no dia 1º de setembro passado. A troca de tiros aconteceu no Residencial Parque dos Flamboyants, no bairro Bela Vista, em Parnamirim, na Grande Natal. Além dele, mais três pessoas morreram na ocorrência.
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